segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fundação (Trilogia da Fundação # 1)

Texto original publicado em: Aliadas Literárias


  • Autor: Isaac Asimov
  • Ano: 2009 / Páginas: 239
  • Idioma: português 
  • Editora: Aleph
Entrando no clima do nosso clube do livro (dia 12 de março, na ler do shopping Aldeota), a resenha de hoje é sobre um dos mais incríveis livros de ficção científica da literatura mundial: Fundação de Issac Asimov.

A trilogia da fundação, relançada aqui no Brasil em 2010 pela Alef, e mais tarde sua expansão de mais quatro livros (lançados aqui em 2012 pela mesma editora), falam sobre um futuro distante em que a origem da humanidade foi até mesmo esquecida, e a raça humana está espalhada por toda galáxia, num império que tem aproximadamente 14 mil anos e uma população de quintilhões e aparentemente duraria para sempre.

Nem tudo, no entanto, que aparenta é e um brilhante cientista chamado Hari Seldon desenvolve uma ciência capaz de calcular os acontecimentos do futuro com base em probabilidades e numa precisão matemática. 

Em seu cálculo, ele percebe que a aparência de eternidade do império não é nada mais que isto e que, de fato, dado a estagnação deste, seu poderio iria decair nos próximos séculos até desaparecer completamente, largando a galáxia a uma existência fragmentada e caótica que duraria trinta mil anos até que um segundo império pudesse ser erguido novamente. É para Seldon, praticamente impossível reverter o processo de declínio do império, mas através da psico-história (a ciência que ele desenvolvera) era possível diminuir a devastação dos acontecimentos e reduzir o tempo de espera para um Segundo Império em 29 mil anos.

Fundação, o primeiro livro a ser lançado da série, inicia-se ai, com Seldon convencendo as autoridades de Trantor, a capital do império, a deixá-lo construir uma enciclopédia galáctica com todo o conhecimento do universo, uma tarefa que não seria terminada em seu tempo, mas seria feita através de suas Fundações em pontos opostos da galáxia.

A Primeira Fundação, para onde Seldon foi enviado com uma série de cientistas foi colocada numa região periférica da galáxia chamada Terminus, um planeta desimportante, pequeno, quase sem matéria prima, mas que atenderia à demanda da criação da Enciclopédia que salvaria a humanidade.

Isto se a criação da Enciclopédia fosse de fato verdade; cinquenta anos depois da criação da Fundação, no que seria o lançamento do seu primeiro volume, Seldon, morto há anos, mas presente graças a uma gravação que fez, revela seu verdadeiro plano, o Plano Seldon.

E é ai que a história da Fundação realmente começa, segundo o Plano Seldon, a Fundação é o berço para a criação de uma nova sociedade, o Segundo Império, mas não é um plano acabado, muito pelo contrário; ela ainda passaria por diversas crises ao longo dos próximos mil anos, chamadas de Crises Seldon.

O primeiro livro é um compilado de histórias que abrangem desde a criação da Fundação até um pouco mais de 200 anos de sua história, cada uma centrada em uma Crise Seldon e também nas mudanças de paradigmas da sociedade da Fundação, suas trocas de poderes, sua evolução de planeta insignificante da galáxia para o último resquício da tecnologia nuclear, depois para o importador desta tecnologia pra o mundo.

Fundação é um livro bastante fluido, fácil de ler, a não ser quando as implicâncias da psico-história são explicadas, nestas partes, em que há princípios matemáticos e sociológicos imaginários envolvidos, o leitor terá de prestar um pouco mais de atenção, porque é uma parte realmente muito densa da história.

Este primeiro livro não é baseado em suspense, na verdade, no meio do livro você já tem uma vaga ideia de que o desenrolar do resto da história se dará de uma forma, e a graça do livro está justamente em que sabemos o que inevitavelmente vai acontecer, mas não sabemos como vai acontecer enquanto tudo parece ir contra o que deveria estar acontecendo.

Asimov brinca com nossa percepção neste livro, que tem como grande objetivo nos colocar a par da força da psico história e do seu desenrolar, é um livro de aproximação do leitor do universo que ele criou. É sem duvida um livro excelente para aqueles que gostam de livros baseados em dedução lógica e feitos inteligentes aliados a fatos e percepção destes.

O livro não tem reviravoltas retiradas do inferno, o que expressa seu domínio da forma narrativa, mas ainda assim consegue nos manter ligados dentro da história, porque o seu desenrolar é surpreendente na grande maioria dos casos. É um livro sobre o conhecimento científico, principalmente sobre o poder do conhecimento científico das exatas, num futuro tão distante que este conhecimento se aperfeiçoou de maneira a se tornar praticamente fantástico.

O primeiro livro não é um livro acabado em si mesmo, como muitas trilogias, mas é intimamente ligado às outras duas obras, como se fosse um prólogo bastante grande desta, por isto, pode ser para muitos leitores a obra mais difícil de ler, por possuir uma pegada mais psicológica do que ativa. No entanto, isto não desmerece a obra, ao contrário, torna-a imprescindível para o entendimento completo dos outros dois livros da série, que tem uma ênfase maior em acontecimentos e ação.

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