sábado, 13 de dezembro de 2014

O Que Aconteceu ao Cruzado de Capa?

O Que Aconteceu ao Cruzado de Capa?



Não escapa a ninguém de que Batman é o herói dos quadrinhos mais em voga no momento, com o último filme da trilogia de Christofer Nolan, O Cavaleiro das Trevas Ressurge, tendo sido lançado ano passado e alcançado a incrível marca da nona maior bilheteria do mundo, com aproximadamente US$ 1.093.239.872.
               Também é fato consumado a febre que o herói está tendo nas redes sociais, afinal é impossível passar algum tempo no Facebook e não se deparar com o quadrinho dos anos 60 onde Batman dá um tapa na cara de Robin.
Mais recentemente, um controverso e polêmico post difundido na rede comprovava através de métodos matemáticos a superioridade do cavaleiro das trevas em detrimento dos outros heróis do universo dos quadrinhos; gerando uma comoção de fãs corroborando ou criticando a tese e uma série de máximas do tipo: “seja sempre você mesmo, a não ser que você possa ser o Batman, neste caso, é sempre melhor ser o Batman.”.
Voltando ao último filme da trilogia, é nele que, finalmente, uma das personagens mais controversas e amadas entre os antagonistas do Homem-Morcego aparece (encarnada pela atriz Anne Hathaway), a Mulher-Gato e é com ela que a história de Neil Gaiman e Andy Kubert começa…

[Hic Sunt Spoilers] Chegando ao beco do crime, uma jovem, que habilmente reconhecemos desde o inicio como sendo Selina Kyle, a Mulher-Gato é encontrada adentrando um bar onde o velho Joe Chill a recebe, eis ai o primeiro mistério desta trama, Joe deveria estar morto. (e, como o próprio Bruce, na forma de um atordoado observador em segundo plano, diz: ele realmente está).
Prontamente, Selina o questiona sobre este ponto, dizendo-lhe que havia recebido noticias sobre sua morte, ao passo que ele lhe responde com a seguinte afirmação: “Eu estava aqui quando tudo começou, senhorita Kyle, eu não vou perder o fim” (Ele é o responsável pelo surgimento de Batman, tendo sido o praticante do assalto que culminou em torna-lo órfão).
Num segundo ato, uma Selina Kyle mais velha chega aos fundos do bar, onde o nosso herói está sendo velado; aqui, o surpreso Bruce percebe que todos os seus inimigos e amigos estão juntos para celebrar seu funeral. Cada um, com uma história para contar sobre ele.
A de Kyle gira em torno de seu conhecido romance com o homem-morcego, com cenas que surpreendem Bruce, afinal, segundo ele que via o desenrolar da memória, aquela história jamais acontecera, no entanto, a Mulher-Gato continuara seu relato culminando em sua aposentadoria e como ela terminou por assassinar o seu amado, traindo-o.
Até ai, nenhuma surpresa. Batman foi morto pela Mulher-Gato; Certo? Errado. Eis que o estranho relato de Alfred termina por destruir quaisquer perspectivas que tínhamos antes e lança a maior aura de mistério do texto: sua história é uma outra versão para a morte do Homem-Morcego, onde toda a saga de Bruce não passa de uma mentira arquitetada por ele para animar seu mestre após a morte dos pais, com Alfred sendo o Curinga.
Mas, como Bruce diz à sua misteriosa acompanhante, cuja identidade ele desconhece, é impossível que Alfred tenha sido o Curinga, o próprio pode ser visto sentado a assistir o funeral. Então, eis o mistério de toda a trama: o que está, de fato, acontecendo? [pronto, fim dos spoilers, seus lindos].

Não é a toa que este é considerado o melhor quadrinho da década sobre o Cavaleiro das Trevas, misterioso até os últimos momentos, esta HQ é uma homenagem muitíssimo bem feita ao espírito bravio do herói e sua eterna capacidade de resistência ante ao seu destino.
Batman não pode desistir, sua luta é tão constante e eterna que não há como ele deixar de ser quem é; a história não poderia ter um outro final que não fosse sua morte, tornando Batman um herói nos moldes do clássico, um trágico que segue sua sina até que, por fim, se esgote.
Nos dois volumes de O Que Aconteceu ao Cruzado de Capa? Temos uma releitura dos muitos personagens que compõe o legado Batman, também uma série de referencias aos inúmeros universos da DC Comics em que o herói apareceu, afinal é como se aquele instante fosse um ponto de encontro do multiverso, contendo em si vários Batmans, de diversas Gothans e com fins variados de uma forma que nem mesmo o Bruce observador consegue se lembrar de qual é o verdadeiro e qual daquelas histórias sobre sua escatologia é a que ele de fato viveu.
Não pude deixar de lembrar, tanto pelo evento e a forma de abordagem quanto pela disposição das imagens, do próprio funeral de Morpheus em Sandman; como porventura, ambos os roteiros foram escritos por Neil Gaiman, podemos inferir que mesmo que tenha sido involuntariamente, houve uma alusão bastante poética ao reino de Sonhar e ao próprio Sonho, lembrando-nos de que o Cruzado de Capa é um mito e como tal, é sempre eterno no reino de onde vêm as histórias.
O Que Aconteceu ao Cruzado de Capa? É um fim digno a saga deste herói, escrito pelas mãos de um dos maiores autores da atualidade. Gaiman certamente acertou ao rechear com tamanha maestria as páginas que se seguiram desses dois volumes acerta do fim de uma das histórias mais icônicas dos últimos tempos.
Porém, Batman é uma lenda e as lendas não morrem, muito menos os heróis do mundo dos quadrinhos, portanto, resta-nos esperar a próxima encarnação do herói mascarado. De que forma ele será retratado nesta próxima encarnação, nesta outra Gotham onde ele ainda está vivo? Só nos resta esperar ansiosos.
No entanto, tenho a absoluta certeza de que a história escatológica de Gaiman se tornará um marco para a saga do Cavaleiro das Trevas. É certamente uma obra imperdível para os fãs de quadrinhos.

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