quinta-feira, 6 de junho de 2013

Neil Gaiman


O Fabuloso Mundo de Neil Gaiman


Depois do luxo que foi ouvir esse poema. É hora de ler um pouco mais sobre esse fantástico autor e sua contribuição para a literatura que vai desde livros à conceituados quadrinhos, alguns deles com adaptações para o cinema:

Dica de filme importantíssima: “Stardust”, para quem ama filmes com paixão, romance, aventura, magia e uma pitada de bom humor. Para quem curte aquela animação bem inteligente em stop-motion (que para mim é o melhor tipo ) a melhor pedida é “Coraline”.

O mundo desse escritor britânico é singularmente rodeado de magia, com temas que vira e mexe brincam com que nós humanos temos de mais frágil: nossas crenças, nossas mentes e até que ponto nossa vida é de fato apenas nossa.

Gaiman é rico em metáforas. Ele representa para a literatura, na minha opinião,  que Spielberg representa para o cinema: um gênio versátil, capaz de criar grandes obras que interessam tanto ao publico popular, como também ao publico mais Cult, com uma grande carga de informação na bolsa.

As gay mais Cult certamente se apaixonarão pela riqueza de alusões à autores como Sheakspeare, Lovecraft, Poe que permeia todo o conjunto da obra Gaiminiana; além disso, toda bicha cult que se preze adora a grande discussão metafísica sobre a existência de deuses, um tapa na cara da sociedade que o Neil dá constantemente.

P.S.:  As hipsters vão se apaixonar pela Delírio, a mais nova dos Perpétuos, em Sandman.

Para as machudas que querem ver apenas sangue e ossos, ou aquelas bees que, como eu, são apaixonadas por aventura, principalmente se tiver um pouco de morte e magia pelo meio, todas as obras de Gaiman são um prato cheio, afinal não há como não amar a épica cena de batalha de Deuses Americanos. [ops, spoiler – me amem.].

Uma alta dica para aqueles que amam o mundo dos quadrinhos: Sandman, que alias é uma leitura indispensável para qualquer amante da nona arte, porquê? Porque Sandman revolucionou toda a história dos quadrinhos, tendo sido uma das principais bases de criação de uma linha do gênero voltada exclusivamente para o publico adulto.

A história de Sandman gira em torno de Morpheus, literalmente Sonho, um dos sete Perpétuos, os seres mais antigos do universo que estão acima dos deuses, pois são em si mesmos os sete aspectos mais importantes de todo o universo: Destino, Morte (Desencarnação), Sonho(Devaneio), Destruição, Desespero, Desejo e Delírio.

Para se entender os Perpétuos e com isso boa parte da mitologia presente nas obras de Neil Gaiman é necessário se entender duas coisas: a diferença entre eles e os deuses e no que consiste sua eternidade.

Os deuses em Neil Gaiman não são eternos, eles são frutos de nossas crenças e, portanto nascem no mundo dos sonhos, o Sonhar (governado por Morpheus), tanto é verdade que quando eles deixam de fazer sentido nesse mundo, eles morrem; alguns ainda permanecem a existir mesmo decrépitos, assumindo novas funções. Essa idéia, primeiramente apresentada por volta do oitavo arco de Sandman é à base da história de Deuses Americanos.

O segundo aspecto é um tanto mais difícil de entender, mas é extremamente importante não só para se entender a história em si, mas também para se entender os Perpétuos, cada um dos sete são a própria força que representam, sendo, portanto, como aspectos imortais: enquanto existirem seres pensantes no universo, existirá como um exemplo Desespero, mas a “pessoa” Desespero é passível de morte.

Um dos mistérios não revelados de Sandman [outro spoiler], que é apresentado no nono arco, é justamente o fato de que isso já aconteceu. De alguma forma, num passado remoto não apresentado, a personagem Desespero morreu, porém como aconteceria com qualquer Perpetuo que venha a falecer, um novo aspecto de Despero surge para tomar o lugar do antigo, como se fosse uma mudança de ângulo de visão, sendo de certa forma como se o antigo jamais tivesse deixado à existência.

Isso significa que os Perpétuos sempre existiram e sempre existirão, certo mona? Errado, queridinha. Existe uma ordem cronológica de surgimento entre os Perpétuos, estática (mesmo com a “morte” de Desespero), o que alias demonstra o amadurecimento deles com relação a suas funções: Destino, Morte e Sonho, os mais velhos são sérios quanto a suas funções de existência, enquanto que Destruição abandonou seu posto e os três mais novos: os gêmeos Desejo e Desespero e a estranha Delírio vivem a brincar com as vidas alheias.

Eles também não existirão pra sempre. No quadrinho os Livros de Magia ( o qual dizem as recalcadas J.K Rowling pegou sua idéia para Harry Potter), vemos a cena final do universo quando os últimos seres nele: Morte e Destino tem sua conversa final, com o fim deste e a tarefa daquela de, na metáfora usada pelo autor, “guardar as cadeiras e apagar as luzes.”.

Um outro mistério não revelado no universo Sandman é como Delírio veio a se tornar quem é. Numa frase bastante filosofia e poética, como é basicamente toda a obra de Gaiman, ficamos sabendo que houve um tempo em que Delírio era na verdade Deleite e que depois de um misterioso acontecimento ela se transformou nessa estranha criatura de olhos heterocromáticos, cabelos coloridos e incapaz de formular frases conexas por muito tempo.

 Um aspecto importante para nós gays é justamente o modo como em plenos anos 80 Neil trata o assunto: aparecem inúmeros personagens homossexuais durante os 75 números da revista (dividida em dez partes, chamadas Arcos) e, principalmente, aparecem de forma suave, natural, sem que haja uma grande problemática em torno da orientação sexual deles.

Sandman possui em seu cerne personagens lésbicas, simpatizantes da causa, transexuais não-operadas, gays, um prato cheio para aqueles que amam o universo GLS(não, não vou usar a sigla completa porque ela é imensa e eu não sei ela toda, sintam-se todos inclusos e aprendam a simplificar bichas ativistas.).

Por último, eu gostaria de deixar a dica do que em minha opinião é o melhor livro de Neil Gaiman: Lugar Nenhum (minha opinião pessoal, sintam-se a vontade para me questionar). Ambientado em Londres, ele fala sobre todo um mundo secreto que se esconde por detrás de toda cidade: onde quase todos os mendigos e os sem-teto vão parar, praticamente invisíveis para nós do “mundo de cima”, um mundo cheio de magia e loucura.

 Eu simplesmente adorei o livro, mas há também uma série uó de mesmo nome (Neverwere), da BBC two (uma espécie de “TV Cultura” da BBC), cujo ator principal Gary Bakewell é um sócia do Paul McCartney.



¥ Um breve resumo e coisas que eu esqueci de dizer:


¥Filmes baseados: Coraline (animação); Neverwere(série); Stardust (longa). Há também uma adaptação de O Livro do Cemitério em andamento e rumores de uma série da HBO baseada em Deuses Americanos.

¥Obras Imperdíveis:

Deuses Americanos, Lugar Nenhum, Sandman, Os Caçadores de Sonhos, O Livro do Cemitério, Sinal e Ruído, Stardust, Coisas Frágeis 1 e 2.


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