quinta-feira, 6 de junho de 2013

Douglas Adams

O Aniversário de Douglas Adams




Vivendo nesse planetinha verde-azulado insignificante, girando em torno de um pequeno sol amarelo e esquecido nos confins inexplorados da região mais brega da Borda Ocidental desta galáxia, eu não poderia deixar de postar hoje, afinal de contas, ontem foi o aniversário de 61 anos de Douglas Adams (para quem viu o logo do google, sabe do que eu estou falando).

Mas, quem é esse tal de Douglas no jogo do bicho? Ele é simplesmente o escritor de ficção cientifica mais inventivo, irônico e engraçado que eu já tive o prazer em por as mãos. (nos livros, deixem de ser maldosas).
   
            A questão é simples, quem nunca ouviu falar no celebre e famoso O Guia dos Mochileiros da Galáxia? A famosa trilogia de quatro livros, que acabaram por ser cinco e recentemente viraram seis; graças a um romance post-mortem criado por Eoin Colfer, cujo conteúdo não se equipara ao original, mas ainda assim é uma leitura deveras interessante, principalmente para os fãs da série.
 

Com títulos super bem bolados, a série gira em torno de Arthur Dent, o único sobrevivente da destruição da terra (a única outra terráquea a existir no universo, sequer estava presente no evento, tendo fugido antes com o presidente da galáxia), que por incrível que pareça foi destruída para dar lugar a um desvio.

Um desvio, nas palavras do próprio Douglas Adams é [contem spoilers do primeiro capitulo]:Os desvios são vias que permitem que as pessoas se desloquem bem depressa do ponto A ao ponto B ao mesmo tempo que outras pessoas se deslocam bem depressa do ponto B ao ponto A. As pessoas que moram no ponto C, que fica entre os dois outros, muitas vezes ficam imaginando o que tem de tão interessante no ponto A para que tanta gente do ponto B queira muito ir pra lá, e o que tem de tão interessante no ponto b para que tanta gente do ponto A queira muito ir para lá. Ficam pensando como seria bom se as pessoas resolvesse de uma vez por todas onde é que elas querem ficar.”.


E afinal, o que tem de tão original no livro? É simples, através de um humor bem estruturado, sem ser forçado, Adams critica toda a nossa sociedade em que vivemos através de exemplos satíricos e exagerados. Seus questionamentos acerca da religião, da política e do modo como à sociedade se organiza são tão famosos que se tornaram referência no mundo Nerd.

 
Atenção bees nerds: O livro é tão popular, que se você digitasse no google antes da nova atualização babado da calculadora: “a resposta para a vida, o universo e tudo mais”, a própria chegaria a uma resposta: 42.
 
Porque 42? Segundo Douglas Adams, essa é a conclusão chegada pelo Pensador Profundo, o maior e mais complexo computador já inventado por formas de vida hiperinteligentes e pandimencionais, sobre qual era a resposta para o sentido da vida, do universo e de tudo mais. Se você não entendeu, não se preocupe ninguém é capaz de entender, porque não há alguém que saiba qual é a pergunta fundamental para o sentido da vida, do universo e de tudo o mais.

Há uma teoria que diz que no dia em que a pergunta à resposta forem descobertas num mesmo universo, uma anulará a outra, dando lugar a algo ainda mais complexo e incompreensível no lugar.
Há uma segunda teoria que diz que isso, de fato, já aconteceu.
 
Alias nerds e afims: Douglas é tão importante para nossa cultura que o dia oficial do orgulho nerd, conhecido como o Dia da Toalha (uma outra alusão ao Guia dos Mochileiros da Galáxia), no dia 25 de maio, é em homenagem a ele.
 
Eu mesmo li o livro de uma vez só, passei semanas sem conseguir falar nada que não fosse sobre ele, completamente absorvido pelo mundo em que ele nos insere: algo surreal, cômico e super-divertido.
 
Os outros livros da série: O Restaurante no Fim do Universo; A Vida, o Universo e Tudo Mais; Até mais e Obrigado pelos Peixes e Praticamente Inofensiva. São menos engraçados que o primeiro, diminuindo seu brilho ao longo do final da série, deixando-nos com menos vontade de ler a partir do terceiro, contudo, a força de vontade é bem recompensada, afinal de contas, há momentos tão memoráveis que lhe tirarão lágrimas dos olhos, principalmente na cena em que a última mensagem de Deus para a humanidade é mostrada. (vocês entenderão porque).
Não há como não se apaixonar perdidamente por Marvin, um andróide paranóico que está sempre em depressão por ser demasiado inteligente para as funções que exerce. Ele é o personagem mais famoso da série, tendo sido inclusive homenageado pela banda Radiohead, no primeiro single do seu terceiro álbum, Ok Computer.
 
Há também um filme de comedia baseada na série, mas como quase todo filme baseado em livros, ele não é muito fidedigna e deixa a desejar em vários aspectos, eu, particularmente, não gostei da adaptação, mas há quem tenha gostado, principalmente, quem não leu o livro antes.
 
Então, bees, não entrem em pânico e procurem logo na livraria mais próxima (ou na locadora, se você for dessas que tem preguiça de ler) a coleção, porque ela é completamente indispensável à leitura, principalmente o primeiro livro. 
 
Alias, eu consegui meu terceiro namorado por causa de um poema dele, então bichas encalhadas, boa leitura também é um ótimo meio de caçar o seu bofe escândalo. Não se faça de pêssega e tenha uma boa carga literária para conseguir aquele carinha com cara de nerd que você tanto ama. Sou desses, tsc, tsc.

E Tem Outra Coisa...

“A tempestade agora havia realmente enfraquecido e, se ainda havia sobrado algum trovão, estaria agora roncando sobre colinas mais distantes, como um homem que diz “E tem outra coisa...” vinte minutos depois de admitir que perdeu uma discussão.” 
 Com o nome tirado desse trecho da obra de Adams, “E Tem Outra Coisa…” é o suposto sexto livro da série, escrito por Eoin Colfer, com permissão da família do autor, o livro recria os personagens, sendo de fato fiel a quem eles são durante a série, contudo, não tem a mesma pegada genial dos livros nos quais é baseada.


Não é uma má leitura, contudo, torna-se apenas um tanto cansativa por tentar ser engraçada a qualquer custo, todo momento, e muitas vezes exagerar na dose, não tendo a leveza irônica do Guia dos Mochileiros da Galáxia. 


Seu principal tema são os deuses, a imortalidade e a família, tendo inclusive ótimos insights sobre como a religião é usada para controlar as pessoas e como, alguns, lideres religiosos nada mais são do que hipócritas manipuladores.

 Para ser sincero com o autor, o modo como ele une o final do quinto livro, com o inicio do sexto é bastante interessante, mas torna-se o ponto mais genial de todo o texto, deixando o resto com um gostinho de devia ser melhor.

Contudo, para um bom fã da série, não ler esse livro é um pecado extremo.

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